QUEM NÃO CONHECE O BIXIGA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!BOM SUJEITO NÃO É !!!!!!!!!!!!!!!!!!!


 HISTÓRIA DO BAIRRO DO BIXIGA         Egydio Coelho da Silva, página
 
RESUMO HISTÓRICO DA FUNDAÇÃO DO BAIRRO DO BIXIGA
(Primeiro de outubro de 1.878

Quando se fala do Bexiga (com “e”, como é a grafia registrada em dicionários ou Bixiga, como já vem sendo
aceita até pelos gramáticos (3) ),  pensa-se que é um bairro antigo. Pois é próximo ao centro, no máximo a três quilômetros do Pátio do Colégio, onde foi fundada a cidade de São Paulo.
Na verdade, a confusão surge porque existem três fatos históricos, que precisam ser analisados:
1) O antigo Bairro do Bexiga.
2) A Chácara do Bexiga.
3) Novo Bairro do Bixiga.

D. Pedro II lançou a pedra fundamental do hospital
 ANTIGO BAIRRO DO BEXIGA

Assim chamado a partir de 1.792, se compunha do Largo do Bexiga, que em 1.865 passou a chamar-se Largo Riachuelo (hoje é a Praça das Bandeiras) e do Largo do Piques, hoje
Largo da Memória. O antigo bairro do Bexiga começou a desaparecer, logo após o surgimento do novo Bairro do Bixiga e esse pedaço praticamente se deteriorou como comunidade e hoje é apenas local de intenso tráfego, com estacionamento de ônibus, passarelas e estação do metrô. O único vestígio é Pirâmide do Piques, ou Obelisco da Memória, que se localiza no antigo Largo do Piques, hoje Largo da Memória.
CHÁCARA DO BEXIGA
Era mata cerrada não só em 1.559, quando ainda Sesmaria do Capão, registrada em seu próprio nome por Antônio Pinto, tabelião de Santos, mas também em 1.794, quando foi vendida pelo Capitão Melchior já com o nome de Chácara do Bexiga. Inclusive no decorrer do Século XIX, a Chácara do Bexiga era mata e quase impenetrável .
Como nossa pesquisa se atém na busca da comunidade, núcleo populacional, que deu origem ao bairro, não há de nossa parte preocupação com a “descoberta” e grilagem da região, mas sim com a população que criou o novo bairro do Bixiga.
Temos recebido crítica dos que acham que o início do bairro deveria ser em 1.559 quando o tabelião de Santos, Antônio Pinto registrou a sesmaria em seu nome. Ele teria descoberto a região, a qual provavelmente sequer visitou ou em 1.794, quando recebeu o nome de Chácara do Bexiga. Porém, em nenhuma dessas datas houve estabelecimento de núcleo populacional na região. Daí serem datas importantes históricas, mas não registram o nascimento de bairro nenhum.
Temos recebido crítica dos que entendem que os primeiros habitantes da Chácara do Bexiga foram os negros, pois, os historiadores são unânimes em afirmar que o local era preferido pelos escravos fugidos. Nisto eles têm razão. Com certeza seus primeiros moradores foram os negros, que nela se refugiavam. 
Eles se escondiam nas capoeiras e capinzais, que
havia em torno do Tanque Reúno, no Bexiga e do Saracura.
É evidente, portanto,  que na Chácara do Bexiga se instalou algum quilombo, talvez com alguma organização social de fortificação precária e camuflada. Portanto, se conclui que os primeiros habitantes da Chácara do Bexiga só podem ter sido os negros, escravos fugidos, aquilombados.
Mas a comunidade, que formou no começo da Chácara, no loteamento entre as ruas da Abolição e Rui Barbosa, nada teve a ver com o restante da Chácara do Bexiga, que ia até onde é hoje a Rua Estados Unidos, que continuava mata fechada, provavelmente servia de esconderijo de escravos aquilombados. A Chácara começou a desaparecer em primeiro de outubro de 1.878, quando foi implantado o loteamento e lançada a pedra fundamental do Hospital. Os negros só se libertaram dez anos mais tarde.
“Pouco antes de seu loteamento, a área onde se formaria o bairro do Bixiga, apresentava-se bastante selvagem. Ainda em 1.870, nessa área caçavam-se perdizes, veados e até escravos foragidos” (historiadora Nádia Marzola, citando A. de Freitas).  Antes do loteamento, portanto, não existia nada na Chácara do Bexiga que indicasse uma comunidade organizada socialmente.
NOVO BAIRRO DO BIXIGA
Nascido do loteamento de parte da Chácara do Bexiga, foi solenemente inaugurado em primeiro de outubro de 1.878.
Os lotes de terreno eram pequenos,  baratos e localizavam-se próximo ao centro. Por isso as pessoas que mais se interessaram foram os italianos, gente pobre e recém-chegada ao Brasil, a maior parte deles vindos da Calábria.
Ao ficarem juntos num espaço geográfico pequeno mantiveram boa parte de sua cultura, embora tenham recebido influência cultural de negros, que se libertaram em 1.878, dez anos mais tarde, e de outras nacionalidades.
Tratava-se de um fenômeno urbanístico novo, que nada tinha em comum com o antigo bairro do Bexiga ou Largo do Bexiga, onde se achava a Estalagem do Bexiga e, menos ainda, com a Chácara do Bexiga, que, na sua maior parte, era mata fechada.
Sabe-se que o principal marco histórico, que caracteriza o surgimento de uma comunidade, é quando se constrói um bem, que seja de uso comum de todos, como: igreja, hospital, praça pública, etc.
Entendemos que a doação de um terreno para construir um hospital para a comunidade, época em que todos se preocupavam com as constantes epidemias, que assolavam S. Paulo, caracterizou o seu nascimento.
Historicamente, o Bairro do Bixiga, como o conhecemos, já surgiu com entusiasmo e com festa.
Isto aconteceu em primeiro de outubro de 1.878.
O loteamento foi inaugurado solenemente, com a presença do Imperador Dom Pedro II, que visitava a cidade de São Paulo, pela terceira vez.
Dom Pedro II lançou a pedra fundamental de um hospital, que seria construído na quadra, formada pelas ruas Santo Antônio, rua da Misericórdia (Abolição), São Domingos e Cons. Ramalho.
O terreno tinha sido doado por Antônio José Leite Braga & Cia., proprietária do loteamento.
A data de lançamento da pedra fundamental para se construir um hospital, que era uma grande benfeitoria,  inserida no loteamento, servindo de marketing para o seu lançamento, é, sem dúvida, a mais certa, para caracterizar o surgimento do bairro Bixiga.
O ato foi presidido pelo Bispo Diocesano, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho. Compareceram mais de duas mil pessoas e, depois da bênção da pedra fundamental, “foi ela conduzida em padiola até o lugar, onde tinha que ser lançada por Dom Pedro II”. Acompanhavam-no, na ocasião, o senador João Lins V.C. de Sinimbu, presidente do Conselho de Ministros,  e o dr. João Batista Pereira, presidente da Província de de São Paulo.
Embora o hospital jamais viesse a ser construído, o loteamento foi sucesso comercial. Evidentemente que a técnica de “marketing” de doar um terreno para se construir hospital e contar, inclusive com o Imperador para inaugurá-lo, ajudou em muito nas vendas dos pequenos lotes.
Surgiu então o bairro do Bixiga, o qual resguardou a cultura italiana, influenciada pela cultura de outras nacionalidades e principalmente negra, pois os negros  aquilombados na Chácara do Bixiga, libertos dez anos mais tarde, e seus descendentes permaneceram na região principalmente no “chamado baixo Bexiga”, junto à hoje Pça 14 Bis.
Tornou-se um bairro típico, sendo considerado por estudiosos como símbolo da cultura paulistana.
* Egydio Coelho da Silva é diretor do JBV-Jornal da Bela Vista
Referências bibliográficas – desta página
(1) 
  Marzola, Nádia –  História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979: página 34.
(2)

Idem, páginas: 34 e 35

(3)
Nogueira, Emil, artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo.
Nota do autor: Tenho o recorte do jornal, mas infelizmente não marquei a data da publicação.
(4)

  Marzola, Nádia –  História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979: página 39

 

 

 

 

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